terça-feira, 17 de maio de 2016

UMA PORTA ABERTA À CULTURA

A casa que alberga a biblioteca, museu e espaço internet foi residência do poeta e investigador de História Tarquínio Hall. Era sua vontade transformar este espaço em algo capaz de valorizar culturalmente a sua Terra. Após o seu falecimento em três de Julho de 2002 coube à Junta de Freguesia fazer todas as obras necessárias à transformação de uma residência num espaço museológico com biblioteca. Tarefa complicada por dificuldade de financiamento e morosa visto que teve que se organizar a biblioteca com centenas de livros do dono da casa e outros que foram doados. Este paciente trabalho, assim como toda a organização do museu, esteve a cargo da Dra. Filomena Carvalho. Finalmente a magnífica obra foi inaugurada em três de Julho de 2011. No sótão transformado funciona a biblioteca e o espaço internet. No segundo piso está o museu com exposição permanente sobre as profissões, artes e ofícios já desaparecidos. Aqui podemos encontrar as ferramentas do carpinteiro, resineiro, sapateiro, pedreiro e ferreiro. Também há um espaço dedicado a tarefas agrícolas como sejam o cultivo e fabrico do azeite e do vinho. No rés-do-chão temos um espaço para exposições diversas de caracter não permanente. No espaço envolvente podemos encontrar um parque infantil e um espaço arborizado propício para actividades ao ar livre.


QUEM É TARQUÍNIO HALL?

Tarquínio da Fonseca Hall nasceu em Lagos da Beira, Concelho de Oliveira do Hospital, no dia 9 de Novembro de 1915. Era filho de José João da Fonseca e de Dona Maria da Ressureição Guilherme Hall, que também foram seus professores de instrução primária. Frequentou, em Coimbra, o Liceu José Falcão onde completou o 7.º ano (actual 11.º).
Foi mobilizado pelo Batalhão Independente de Infantaria 19, com sede no Funchal, onde permaneceu durante a Segunda Guerra Mundial como alferes e tenente miliciano. 
Licenciou-se em 11 de Janeiro no instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina. Exerceu funções públicas no Ultramar português durante mais de 30 anos onde foi comtemplado com vários louvores. Regressa a Portugal após o 25 de Abril e desenvolve notáveis trabalhos de jornalismo e investigação histórica a par de actividade política sendo mesmo deputado da Assembleia Municipal em 1989 e anos seguintes. Em 7 de Outubro de 1994 foi condecorado pela Câmara Municipal de Oliveira do Hospital com a medalha de prata da cidade por serviços prestados à cultura.
Dedicou-se à poesia deixando uma vasta e bela obra poética. Publicou o primeiro livro em 1945 com o título “Variações”. Seguiram-se “Poemas de Alem e de Aquém mar” (1956); “Poemas Africanos” (1960); “Liberdade e Fraternidade” (1977); “Ternura” (1980); “Poemas” (1986); “Infante Dom Henrique” (1996). Ilustro este post co um poema dedicado à Terra que o viu nascer.

Lagos da Beira

Minha terra
não tem rios, não tem mar,
mas tem um lindo céu azul
com cascatas de luar…
tem as ondas dos pinhais
quando o vento as faz bailar…

Nosso mar é verde mar…
Como no mar, é o vento
que faz o verde ondular,
que torna verde o relento…
Nas copas dos olivais
navegam barcos reais
distantes no pensamento…

Minha terra
não tem rios, não tem mar;
tem as ondas dos pinhais
quando o vento as faz bailar…

Sem comentários:

Enviar um comentário